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Dossiê temático “Centenário de Celso Furtado”

2019-08-01

Sem entrar nos méritos do legado intelectual de Celso Furtado para o pensamento social e econômico brasileiro. Este dossiê pretende reunir trabalhos em uma perspectiva atual acerca do pensador. Em outras palavras, busca responder: como pensar o Brasil atual sob os fundamentos teóricos e metodológicos deixados pelo autor, na condição de chaves para entendermos o futuro sem abandonar a História? Os textos do autor levam-nos a pensar os estudos urbanos no que se refere-se ao regional e seus conteúdos e formas espaciais, como o Nordeste, o pensamento social e político brasileiro a partir do capitalismo, entre o local e o global – as formas de poder em cada espaço-tempo de tais categorias, o subdesenvolvimento no campo epistemológico, conceitos e definições recentes de Estado, desenvolvimento e democracia.

A Revista Políticas Públicas & Cidades visa publicar trabalhos com teor teórico de relevância para o pensamento social, político, econômico e urbano brasileiro.

Prazo: 30 de janeiro de 2020

Publicação: abril de 2020

Att., Wesley Medeiros - editor-chefe

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Dossiê temático “Paulo Freire e a Cidade”

2019-08-01

Dossiê temático “Paulo Freire e a Cidade”

O periódico Políticas Públicas & cidades está com chamada aberta para seus próximos números. A chamada engloba dossiês temáticos, resenhas de obras importantes para os estudos urbanos, resultados de pesquisas de iniciação científica, projetos e planos urbanos desenvolvidos em disciplinas de Urbanismo e Planejamento Urbano, assim como outras formas de produções acadêmicas.

Tomando o documentário “A ponte”, que trata da periferia na zona sul de São Paulo e foi produzido pelo Instituto Rukham, assistimos o convívio no cotidiano dos “homens lentos”, categoria de análise social e política elaborada pelo professor Milton Santos, ampliada por outros pesquisadores como Ana Clara Torres Ribeiro. A designação “homens lentos” refere-se aos pobres que fazem e refazem a cidade ao seu modo de ver e entender seu mundo no mundo. Sob fundamentos deste modo de ser e viver, descobrem coisas que outras classes sociais não conseguem; reivindicando, assim, seu espaço na vida sem medo de lutar, morrer, perder, e também sem a esperança de ganhar. Nesta coexistência eles são homens lentos pois aprendem a viver sob a escassez; ou seja, criam e recriam a ideia de sobrevivência na cidade com suas formas perversas em contrapartida à exclusão dos mercados formas, da cidade formal e da qualidade de vida.
No documentário vemos o rapper Mano Brown, a educadora Dagmar Garroux e o escritor Ferréz convivendo com a experiência da pobreza e a luta pela sobrevivência na periferia, na qual constroem interpretações freirianas da realidade e da existência. O rapper Mano Brown aponta um conjunto de reflexões para pensarmos a vida de adolescentes e jovens excluídos por um sistema anulador de seus direitos sociais, sobretudo no que diz respeito ao direito à cidade como habitação, espaços de lazer, espaços de encontro, espaços e paisagens que ressignificam a vida. A educadora Dagmar Garroux (Tia Gad), conduz o projeto “Casa do Zezinho” sob fundamentos freirianos desde 1994, levando em conta os conceitos filosóficos do afeto, liberdade, consciência e experiência. O escritor Ferréz, ressalta, por fim, a importância de estudarmos Paulo Freire não apenas no campo das ideias, mas de forma a viabilizar a prática educadora em todos os meios da relação sociedade e meio ambientes, ampliando seu pensamento do que seja a existência no mundo tal como ele é. Ou seja, é possível transformar a realidade urbana de nossas cidades aplicando conceitos da educação freiriana.
Este é o desafio que o dossiê pretende trazer à comunidade acadêmica através de artigos que tragam análises, reflexões, interpretações, compreensões e relações múltiplas quanto ao comprometimento de Paulo Freire com a vida em todos os espaços – entre eles, a cidade onde as formas de dominação das consciências nos leva a pensarmos os homens lentos como peças da normalidade.

Publicação: 31 de agosto de 2019

 

Att.,

Wesley Medeiros - editor-chefe

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DOSSIÊ: Pensamento urbano brasileiro

2019-02-28

Pensamento Urbano no Século XXI É uma alegria expor ideias, ideias em que ainda estão em movimentação, que não estão arrumadas completamente. Aliás, acho que não precisam estar porque elas são um estímulo para aquilo que eu estou produzindo. Elas estão em movimento, são ideias em movimento (RIBEIRO, 2012). Este dossiê nasce de uma preocupação do urbanismo com o exercício do da dúvida e do pensamento, ou seja, de ideias em movimentação, a construção e o acesso ao conhecimento do que é ou não é a cidade. Se, por um lado, o pensamento social tem como objeto a sociedade brasileira; o pensamento político, por outro lado, tem como objeto a formação política e democrática; e, por fim, o pensamento econômico tem a formação socioeconômica ligada a ideologias e governos — o objeto do pensamento urbano é cidade, entendida não só como espaço amorfo, mas por realidades próprias da vida urbana. Da área, por conseguinte, se espera um quadro analítico mais claro que ofereça um debate sobre sociedade e política, mediante o qual possam perpassar campos de ideias e de ações, visando reflexões sobre o bem-estar social. Neste início de século, a cidade está intrinsicamente situada no debate político e econômico do país. Daí decorre que a forma como se pensa esses dois âmbitos influencia a história de nossas cidades, a qual se altera constantemente.  Entre otimismo e pessimismo quanto à realidade urbana, há o retorno de temas urbanos com mais força ao debate político da cidade. Como o da “violência e periferias urbanas” na ocupação militar do Rio de Janeiro em 2018. Ponto de inflexão com a euforia das redes sociais e das mídias com as provocações teóricas, filosóficas e científicas da Profa. Dra. Jacqueline Muniz quanto contexto da intervenção militar e urbana. Sua fala é uma inflexão ao colocar em debate ideias, dúvidas, pensamento, conhecimento e os mitos celebrados quanto ao tema. Portanto, pensamento urbano saindo dos confinamentos da academia e do sistema de publicações ao ato de ensinar a sociedade a questionar valores por trás da ação do Estado.  Segurança pública, por exemplo, e aos assuntos do cotidiano, colocando em pauta a figura do Estado, de governos e de instituições político-sociais. Emergem então formas de pensamento e ação contra a ideia de democracia como um espaço em que o sujeito se constitui cidadão de direitos, e pela qual não apenas os antigos direitos são assegurados, mas são repensados. O risco inerente a tal realidade reside justamente aí: será que a sociedade brasileira tem consciência de fato do que é a cidade e pode impedir que agentes políticos a fragmentem em discursos que servem à formulação de relações de poder? No âmbito dessas questões, o tema cidade reaparece sob distintas narrativas nos meios de comunicação, a partir de interlocutores cientistas, pesquisadores, professores, sindicalistas, ativistas, jornalistas, comentadores, blogueiros, youtubers e partidos políticos. Entre o dito e o não dito, o pensamento crítico da realidade urbana brasileira parece se distanciar de um debate autêntico, com minúcia, e que estabeleça uma relação entre política, sociedade e cidade, negligenciando, ora a vida humana, ora os direitos humanos, civis e políticos e, por fim, o direito à vida urbana. Tal debate se mostra como um campo de múltiplas entradas, cada vez menos presente em uma sociedade que se diz democrática, que se quer moderna numa época de modernidade. Por outro lado, não há dúvida que o conhecimento científico influencia as formas de pensar e agir da sociedade, como no caso da Profa. Dra. Jacqueline Muniz. Por isso, parecem ser urgentes certas comunicações científicas que contestem conhecimentos acerca da realidade urbana brasileira — que proponha análises, reflexões, discussões e interpretações capazes de explicar tal realidade em mutação. Ademais, uma abordagem teórica e crítica de realidades tão complexas não pode ser pensada apenas por um ou outro campo do conhecimento. Nesse sentido, este dossiê não pretende publicar trabalhos sobre estudos de casos resultados de dissertações e teses, ou ainda, pesquisas onde os autores se foquem na realidade de um objeto em análise. Tampouco trabalhos estritamente descritivos sem rigor teórico e metodológico. Não negamos aqui o valor neste tipo de trabalho; porém, nosso interesse se volta à publicação exclusiva de artigos teóricos. Claro que dissertações teses e pesquisas teóricas a partir de casos/fatos/história são bem-vindas. Ao contrário, convidamos pesquisadores, em especial urbanistas, geógrafos, sociólogos e antropólogos do urbano a submeterem trabalhos que em alguma medida possam responder indagações como: O que é o pensamento urbano brasileiro? No que ele se difere do pensamento social, político e econômico? Levando-se em consideração que tem sido comum o interesse de autores desde 1950 por pesquisas do urbano, pode-se dizer que hoje existem novas teses que expliquem a realidade urbana? Ou só uma volta a antigas teses? Pensemos, sobretudo, na realidade brasileira; Se adotamos o ponto de vista que arquitetura e urbanismo importam à sociedade — qual é a realidade destes campos do conhecimento atualmente? Há diferenças entre o que real é a o urbanismo e a realidade social, rural e urbana? Como o descompasso ou pontos de encontro entre as duas dimensões são pensadas? Se há de fato um descompasso, por que insistimos em utilizarmos conceitos e definições tradicionais? Podemos pôr em prática um exercício do questionamento de um urbanismo brasileiro? Ou aqui prevalecem ainda ideias de outros modelos de urbanismo estrangeiros? (Pensar tal pluralidade de observações e teorizações interessa, sobretudo, para entendermos a cidade na pluralidade de “Brasis”). Na história urbana brasileira, quais foram as trajetórias do pensamento urbano? Qual é o seu marco inicial? Quais foram os seus períodos? Quem são os autores principais dessa formação — são brasileiros atuantes na arquitetura e urbanismo, ou nosso conhecimento foi e está sendo moldado por outras áreas? Quais outras áreas são mais presentes no pensamento urbano e por quê? Houve influências estrangeiras neste processo? Como a formação social e econômica relaciona-se a concepção do pensamento urbanístico? Qual a linhagem de intelectuais, pesquisadores, arquitetos, urbanistas e planejadores urbanos brasileiros? Há aqui um estilo de pensamento constituído, ou, ao menos, em fase de constituição? O rigor da teoria e do método precisam ser colocados em questão quando se trata de temas urbanos. Qual exame critico há sob a produção do conhecimento recente? Se não há, será possível construi-lo? Quais temas são ainda no século XXI pouco explorados? O que foi dito e o que não foi dito? O que é preciso dizer? Pode-se falar sobre “pensamento urbano” e sobre o dinamismo das classes sociais sem cair em categorias desgastadas, tal qual a ideia de “segregação urbana”? Ademais, há relações possível de ideias como essa, pautadas no urbano, para pensarmos demais setores sociais — por exemplo, o mundo agrário, os grupos religiosos e os setores informa do trabalho? Entre esquerda e direita, quais formas de pensar e agir podem ser apreendidas numa reflexão política e ideológica da cidade? Quais tendências podem ser observadas em relação ao futuro do pensamento urbano? Por fim, estratégias econômicas e sociais do Governo Lula/Dilma através dos programas de governo como o Programa de Aceleração do Crescimento regionalizando infraestruturas urbanas e regionais. Levam-nos a qual tipo de pensamento? Como e do que dizer do momento pós PAC? Temas outros importantes a este dossiê. Por fim, espera-se construir este dossiê através de um embate teórico relacionado aos precursores, os clássicos e uma ênfase a novos interlocutores do pensamento urbano.   Recomenda-se atenda leitura ao formato de artigos da revista para 2019 disponível no portal da revista. 

Prazo: 31 de agosto de 2019

Periódo de avaliação: 01 de setembro a 30 de novembro de 2019

Publicação: 31 de dezembro de 2019

Att., Wesley Medeiros - editor-chefe

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PUBLICAÇÃO DOS PRÓXIMOS VOLUMES

2018-11-19

Quando as duas próximas edições da revista:

 v. 7, n. 2 (2018)  Experiências no Ensino do Urbanismo no Brasil 

v.7, n. 3 (2018) O Golpe de 2016 e o futuro da democracia

estão atrasados devido a migração do sistema atual para nova versão 3.0. Observem que a maioria da revistas estão num sistema novo disponivel pelo Open Journal Systems (OJS). Espera-se publicar o V. 7, n. 2 este final de semana. 

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Chamada de Trabalhos – v.5, n2, 2017

2017-01-24

Processos Contemporâneos de Urbanização do bioma amazônico

Editor convidado: José Aldemir de Oliveira (UFAM)

O estudo de cidades é uma longa tradição na academia brasileira. Tanto nas áreas de planejamento, arquitetura e geografia quanto nas demais ciências sociais. Apesar destes esforços ainda há lacunas em termos teóricos e metodológicos para se compreender a relação entre o processo contemporâneo de urbanização, a diversidade de cidades, os projetos de desenvolvimento e a conservação dos recursos naturais no bioma amazônico. Com a consolidação dos programas de pós-graduação nas universidades na Amazônia, em especial na área de geografia, mudou-se a forma com a qual se estuda e compreende as cidades. Muito progresso foi feito e a análise das cidades e do urbano no bioma deixou a escala regional para entrar na escala da cidade e das redes urbanas. Por outro lado é necessário compreender as interfaces e os processos da urbanização nos países amazônicos daí a necessidade de se ampliar a discussão para pesquisadores de outros países.

Esse esforço teórico e metodológico para se compreender as cidades e o urbano a partir do olhar “interno” e não na escala do regional, com rápidas visitas a campo ou somente com dados secundários coletados nos bancos de dados disponíveis, fomentou novas leituras e entendimentos sobre o tema. Pode-se dizer que teve início a formação de um pensamento geográfico sobre o processo de urbanização e a diversidade de cidades localizadas no bioma.

Claramente estes estudos apontam para uma diversidade de cidades. Cidades médias e sua inserção na complexa dinâmica do agronegócio como Santarém e Marabá, no estado do Pará, cidades da fronteira como Tabatinga e Benjamin Constant no Amazonas e temas como o uso dos recursos naturais e a economia regional, habitação nas cidades médias e pequenas, relações intrinsecas com as rodovias e com o sistema hidrológico, segregação socioespacial, saúde, turismo, cultura urbana e demais temas clássicos dos estudos urbanos. Neste conjunto de estudos percebe-se um esforço de construção teórica e metodológica visando compreender a realidade urbana na Amazônia e relaciona-lá com os processos de urbanização na escala nacional.

 Neste sentido, este volume da Revista Políticas Públicas & Cidades abre o debate acerca da produção do conhecimento sobre a cidade e o urbano no bioma amazônico, compreensão dos processos em curso, as lacunas ainda existentes e as possibilidades para o estudos e pesquisas. Convidamos pesquisadores  para submeterem trabalhos que apresentem aspectos teóricos e metodológicos inovadores no campo dos estudos urbanos e que discutam como o processo contemporâneo de urbanização na Pan-Amazônia permite compreender o processo mais amplo de urbanização no Brasil e na América do Sul.

Encoraja-se a submissão de trabalhos que investiguem essas relações e que se enquadrem em uma das seguintes categorias:

i) Trabalhos de natureza empírica, que forneçam evidências que suportem ou contradigam hipóteses formuladas sobre o tema;

ii) Trabalhos de natureza empírica, que forneçam evidências que suportem ou contradigam hipóteses formuladas sobre o tema;

iii) Ensaios teóricos, sem a obrigatoriedade de resultados empíricos, desde que tragam novos entendimentos sobre questões relevantes e permitam fazer avançar o conhecimento sobre o tema;

iv) Revisões sistemáticas de literatura construídas segundo uma metodologia clara e exaustiva na abrangência dos resultados já produzidos pela literatura nacional e internacional, discutindo-os e situando-os em relação ao campo do conhecimento.

Calendário proposto:

Data de submissão: 16 de abril

Avaliação pelos editores: 16 a 23 de abril 

Envio aos avaliadores: 25 a 30 de abril

Retorno dos avaliadores: 15 de junho 

Envio dos pareceres aos autores: 02 a 09 de julho

Retorno dos autores: 30 de julho

Processo editorial para publicação: 01 a 06 de agosto

Publicação: 31 de agosto 

Informações: [email protected]

Autores devem:

i) seguir as normas de submissão da revista na página SOBRE

Att.,

José Aldemir de Oliveira - editor convidado

Wesley Medeiros - editor-chefe 

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CHAMADA DE TRABALHOS (v. 05, n.1, 2017)

2016-08-19

Tendências recentes de Ubanização no Nordeste brasileiro

A Comissão Editorial da Revista Políticas & Cidades e o editor deste número (v. 5, n. 1, 2017) convidam pesquisadores a submeter trabalhos para composição do dossiê.

Editor convidado: Prof. Jan Bitoun (Geografia – UFPE)

Submissão: foi alterado de 06/02/2017 para 23 de fevereiro de 2017

Para tratar da urbanização, no âmbito regional, precisa ultrapassar os limites das cidades. Concorda-se com Brenner (2014, p.16) que na contemporaneidade “a diferença espacial já não assume a forma de uma divisão entre o urbano e o rural, mas se articula mediante uma explosão de padrões e potenciais de desenvolvimento dentro de um tecido de urbanização mundial que se engrossa (mesmo que de uma maneira desigual). ”

Na Região Nordeste, onde a população rural é muito importante e apresenta elevados índices de pobreza (também presentes nos quadros urbanos) em ambientes variados (diversas feições do Semiárido, Cerrados, Mata de Cocais, Litoral, Áreas de plantation de cana-de-açúcar e de cacau) o estudo das tendências recentes de urbanização remete a diversos padrões e potenciais de desenvolvimento, seja pela via da expansão do agronegócio seja pela via do fortalecimento da agricultura familiar. Constata-se então que a urbanização:

“(...) assumirá significados distintos, se em sua incidência sobre o mundo rural reforçar um ou outro desses projetos: a imposição, em nome da modernização da agricultura, dos padrões dominantes de trabalho, produção e consumo, que reitera a grande propriedade como o modelo ideal de empresa rural ou, inversamente, a implantação de uma modernização rural, pela qual os habitantes do campo tenham assegurado o acesso aos bens e serviços socialmente necessários e possam participar como protagonistas da gestão desse mesmo acesso” (WANDERLEY; FAVARETO, 2013, p. 441).

Desde os anos 90, Tânia Bacelar de Araújo, explicou no texto Nordeste, Nordestes: Que Nordestes? (2000) que se buscou “avançar na percepção das diferenciações existentes dentro da própria região Nordeste, destacando-se os novos subespaços dinâmicos, as diferentes trajetórias estaduais e metropolitanas, e os focos de resistência a mudanças.”

Cabe então aos estudiosos das tendências da urbanização e das cidades na região, proponentes de artigos, identificar em diversos escalas da rede urbana[1] quais foram as tendências de transformação dessas cidades (seja em estudo de uma cidade, seja em estudo de um conjunto de cidades) considerando uma ou várias dessas mudanças recentes que, além de expandirem os limites das cidades fortalecerem suas articulações com espaços regionais e rurais:

- Nos padrões migratórios e de deslocamentos pendulares que, respectivamente, apontam para o crescimento das migrações no âmbito da própria região, ocorrendo também em algumas partes a atração de pessoas qualificadas de fora da região, e para a constituição de aglomerações urbanas, inclusive fora das áreas metropolitanas. (FUSCO, OJIMA, 2014).

- Nos padrões de consumo e de acesso a bens e serviços (entre esses destacam-se os serviços de ensino e saúde); na primeira década do século XXI, houve aumento da renda sob o efeito da elevação do salário mínimo e das transferências sociais e empreendimentos comerciais e de serviços implantaram-se em cidades fortalecendo suas centralidades em relação ás suas respectivas regiões.

- Na produção imobiliária para habitação, destacando-se os segmentos de produção informal, de produção empresarial e de produção estatal (com a generalização do programa Minha Casa Minha Vida) gerando novos padrões de segregação espacial e de necessidade de mobilidade; destaca-se também a importância da produção de empreendimentos imobiliários de segundas residências e de turismo e lazer nos arredores das cidades.

- Na implantação de novos empreendimentos industriais, agroindustriais, canteiros de obras públicas e exploração mineral, na oferta de novos postos de trabalho e na estrutura econômica e de poder de cidades impactadas por esses empreendimentos.

Considerando essas tendências de transformação das cidades, aponta-se com Fernandes (In BITOUN, J.; MIRANDA, L. 2008) que, pensar o urbano na sua dimensão regional significa compreender a cidade como um fator de distribuição de infraestruturas, serviços públicos, qualidade de vida e oportunidades para a população no território.

Seria interessante, nesse contexto regional que aponta para generalização do movimento de urbanização, que os artigos registrem inovações, quando existirem, sejam elas oriundas de entidades da sociedade civil ou de políticas públicas, tratando:

- Das possibilidades da participação no planejamento e na gestão urbanos, tanto no que se refere aos instrumentos normativos, tais como os Planos Diretores e Leis de Uso e Ocupação do Solo, como em programas e projetos, inclusive de edificações e infraestruturas envolvendo engenharia e arquitetura adaptadas às características da demanda.

-  Das possibilidades de redução das desigualdades e ampliação de oportunidades para os segmentos historicamente desprovidos de poderes no ambiente político local, destacando-se, entre outras oportunidades decorrentes da diversidade cultural, da promoção de empreendimentos e de ações afirmativas.

- Das iniciativas relacionadas à conservação do ambiente físico-natural sobre o qual está assentado a cidade, especialmente os recursos hídricos, além das políticas de redução de riscos no âmbito de espaços urbanos expandidos.

 

Referências

ARAUJO, T. B. Nordeste, Nordestes: que Nordeste? In: Ensaios sobre o desenvolvimento brasileiro: heranças e urgências. Rio de Janeiro: Revan: Observatório das Metrópoles, 2000.

BITOUN, J.; MIRANDA, L. Desenvolvimento e cidades no Brasil: Contribuição para o Debate sobre as Políticas Territoriais. Recife: Observatório das Metrópoles, FASE, 2008.

BRENNER, N. Teses sobre a urbanização. E-metropolis, n.19, ano 5, dez., 2014, p.6-26.

FUSCO, Wilson; OJIMA, Ricardo (Orgs.). Migrações Nordestinas no Século 21 um panorama recente. Ed. Blucher: São Paulo, 2014.

IBGE. Diretoria de Geociências. Coordenação de Geografia. Regiões de influência das cidades 2007. Rio de Janeiro, IBGE, 2008.

IBGE. Diretoria de Geociências, Coordenação de Geografia. Divisão Urbano Regional 2010. Rio de Janeiro, IBGE, 2013.

WANDERLEY, M. N. B.; FAVARETO, A. A singularidade do rural brasileiro: implicações para as tipologias territoriais e a elaboração de políticas públicas. In MIRANDA, C., SILVA, H. (Orgs.). Concepções da ruralidade contemporânea: as singularidades brasileiras. Brasília: IICA, 2013. (Série Desenvolvimento Rural Sustentável; v.21), p. 413-472.


[1] Segundo a terminologia adotada pelo IBGE na publicação Regiões de Influência das Cidades 2007 – REGIC (IBGE, 2008): centros locais, centros de zona, centros sub-regionais, capitais regionais e metrópoles; e, segundo a terminologia adotada pelo IBGE na publicação Divisão Urbano Regional 2010 (IBGE, 2013): Centros de Regiões de Articulação Imediata, Centros de Regiões de Articulação Intermediária e Centros de Regiões de Articulação Ampliada.

DIRETRIZES PARA SUBMISSÃO: http://periodico.revistappc.com/index.php/RPPC/about/submissions#authorGuidelines

Atenciosamente,

 Jan Bitoun (Geografia - UFPE) Editor Convidado

 Wesley Medeiros - Editor responsável pela PP&C

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CHAMADA DE TRABALHOS

2016-06-02

A cidade como trama da vida cotidiana:

a (r)evolução de Jane Jacobs

 A Comissão Editorial da Revista Políticas & Cidades e o editor deste número temático convidam pesquisadores a submeter trabalhos para o dossiê temático "A cidade como trama da vida cotidiana: a (r)evolução de Jane Jacobs".

No ano de 2016, celebramos os 100 anos de nascimento da teórica mais importante da disciplina de Estudos Urbanos, Jane Jacobs.

Derivadas de uma capacidade aguda de observação e atenção ao cotidiano e de uma habilidade singular para capturar as relações sócio-espaciais complexas que subjazem a vida urbana – e traduzi-las em linguagem simples – as proposições de Jacobs tampouco minimizaram seu potencial de polêmica. Ela foi a teórica de maior impacto nos Estudos Urbanos no século XX. Suas ideias mudaram a disciplina e suas hipóteses têm sido em ampla medida corroboradas por estudos empíricos sistemáticos – no exterior e no Brasil. Jacobs também teve impacto considerável na geografia econômica, área na qual há até mesmo um fenômeno com seu nome (as “externalidades Jacobs”, os efeitos positivos gerados pelas trocas entre setores distintos da economia). Entre os teóricos urbanos, Jane Jacobs é a única a rivalizar em número de citações com gigantes das disciplinas sócio-espaciais, como David Harvey e Henri Lefebvre.

A abordagem jacobsiana segue com potencial sentido também em nossa realidade: parece oferecer subsídios para pensarmos a diluição da forma urbana em tipologias desconectadas de seus contextos; a aparente diluição correspondente na vitalidade de nossas cidades; possíveis tendências de fragmentação política, invisibilização de alteridades e de luta por reconhecimento de campos sociais e suas expressões no urbano.

Para discutir essas questões em nosso contexto – e, no melhor espírito jacobsiano, revisar criticamente e buscar a expansão de suas ideias – a Revista Políticas & Cidades faz ampla chamada para artigos focados em temáticas contemporâneas – da reflexão social e econômica sobre a vida de cidades e regiões à ação política em campos urbanos tensionados.

OBJETIVOS da Edição especial

  • Estimular o uso e expansão das ideias de Jacobs, sobretudo em direções (i) teóricas, de modo a explorar uma visão sistêmica sobre a complexidade do urbano; (ii) substantivas, de modo a expandir a visão das relações sócio-espaciais em jogo na cidade; (iii) empíricas, de modo a aproximá-la do contexto brasileiro, e checar as adequações e limitações de suas teorias nesse sentido.
  • Estimular o cruzamento entre abordagens e imaginações sociológicas, espaciais e etnográficas.
  • Estimular o pensamento bottom-up, em trabalhos capazes de evocar o tecido frágil das interações cotidianas, incluindo as tramas dos campos sociais, baseados em gênero, faixa etária (como crianças e a cidade) e diferentes orientações, bem como as redes da trocas microeconômicas e suas espacialidades.
  • Explorar as implicações políticas das proposições e atividades de Jacobs – também em nosso contexto.
  • Encorajar o contato e utilização de toda a extensão da obra de Jacobs –  para além do seu livro publicado no Brasil, Morte e Vida das Grandes Cidades. Talvez três fases in continuum possam ser distinguidas em seus trabalhos: a atenção ao universo social e político intraurbano; a atenção à gênese regional e ao papel econômico das cidades; e a reflexão mais ampla sobre sociedades e cultura (veja lista de trabalhos abaixo).

TEMAS

A chamada é especialmente voltada para os seguintes temas, entre outros de interesse:

  • Forma urbana e arquitetura como condições para a vida social: a relação entre forma arquitetônica, forma urbana e vida no espaço público; espaço e lugares urbanos como expressão de diferentes campos e grupos sociais.
  • Apropriação do espaço público, segurança natural e novas visões de urbanidade.
  • Política do cotidiano e cidade: as condições urbanas para a expressão política.
  • Diversidade urbana, a vida de bairros e cidades: condições espaciais para a materialização das redes da microeconomia: trocas intermediárias e finais; os entrelaces do social e do econômico na escala local e na escala urbana.
  • O papel da diversidade na microeconomia: as externalidades ou “economias Jacobs” na geografia econômica; cultura, e cidades criativas; prosperidade e decadência urbana; processos de gentrificação e as lacunas da teoria jacobsiana; as forças que levaram à invenção das cidades e sua morfologia particular.
  • Jacobs e o diagnóstico da cultura: a produção tardia da autora; a visão sistêmica sobre sociedade, economia e cidade; contextos de crise e “tempos sombrios à frente” (veja bibliografia abaixo)
  • Jacobs e a realidade brasileira: relações, dificuldades e possibilidades de exploração das abordagens e da temática jacobsiana em nosso contexto.

Os trabalhos devem devem dialogar com os temas da literatura Jacobsiana (veja bibliografia abaixo) e também com os conceitos Jacobsianos - lembrando que eles se estendem de uma visão das condições materiais da vida cotidiana até as redes microeconômicas e políticas que se materializam na cidade, mas que a transcendem em outras escalas.

Este diálogo pode envolver a incursão em conceitos, comparações e confrontos com outras abordagens, bem como a exploração de divergências e de possibilidades de avanço da abordagem em novas direções, tanto conceituais quanto substantivas.

SUBMISSÕES

Prazo para submissão de trabalhos: 20 de agosto de 2016.

As submissões serão recebidas pelo portal da Revista PP&C.

Para consultar as normas de publicação, acesse nosso portal:

http://periodico.revistappc.com/index.php/ppc/about/submissions#authorGuidelines

Para maiores informações, entre em contato com a o editor da revista: [email protected]

Atenciosamente, 

Vinicius M Netto (UFF) Editor Convidado 

Wesley Medeiros - Editor responsavél pela Revista PP&C

 

BIBLIOGRAFIA JACOBSIANA

Trabalhos de autoria de Jacobs sobre a questão urbana

Em português: Morte e Vida das Grandes Cidades

“Downtown is for People” (1958) Fortune Classic. http://fortune.com/2011/09/18/downtown-is-for-people-fortune-classic-1958/

The Death and Life of Great American Cities (1961)

The Economy of Cities (1969)

The Question of Separatism: Quebec and the Struggle over Sovereignty (1980)

Cities and the Wealth of Nations (1985)

Systems of Survival: A Dialogue on the Moral Foundations of Commerce and Politics (1992)

The Nature of Economies (2000)

Dark Age Ahead (2004)

 

Alguns trabalhos debatendo ideias de Jacobs em Estudos Urbanos

Nadai et al (2016) “The death and life of great italian cities - a mobile phone data perspective”. WWW 2016, April 11–15, Canada.

Netto, V.M.; Vargas, J.C.; Saboya, R.T. (2012) “(Buscando) Os efeitos sociais da morfologia arquitetônica.” Urbe – Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 4, n. 2.

Netto, V.M. (2014) Cidade & Sociedade: As Tramas da Prática e seus Espaços. Editora Sulina: Porto Alegre. Capítulo 8 “Os efeitos sociais da arquitetura”

Saboya, R. T., Netto, V. M. and Vargas, J. C. 2015. “Fatores morfológicos da vitalidade urbana. Uma investigação sobre o tipo arquitetônico e seus efeitos.” Arquitextos, 180.02, online.

Schmidt, C. G. (1977) "Influence of land use diversity upon neighborhood success: an analysis of Jacobs' theory".  The Annals of Regional Science, Volume 11, Issue 1, pp 53-65

Weicher, J. C. (1973), "A Test of Jane Jacob's Theory of Successful Neighborhoods." Journal of Regional Science, Vol. 13, No. 1, pp. 29-40.

Wessel, T. (2009): “Does diversity in urban space enhance intergroup contact and tolerance?” Geografiska Annaler: Series B, Human Geography 91 (1): 5–17.

 

Alguns trabalhos debatendo ideias de Jacobs em Economia Urbana

Florida, R.; Mellander, C.; Stolarick, K. (2011) “Geographies of scope: an empirical analysis of entertainment, 1970–2000” Journal of Economic Geography (2011) pp. 1–22

Frenken, K.; Oort, F.; Verburg, T. (2007) “Related variety, unrelated variety and regional economic growth” Regional Studies 41(5) 685-697.

Glaeser, E. L.; Kallal, H.D.; Schinkmann, J.A.;and Shleifer, A. (1992) Growth in cities. Journal of Political Economy  100, 1126–52.

Gordon, P.; Ikeda, S. (2011) Does density matter? In D. Andersson; A. Andersson; Mellander, C. (eds.) Handbook of Creative Cities. [S.l.] Cheltenham, Edward Elgar Pub.

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